Como praticar Wu Ji

Como praticar Wu Ji em Qi Gong

A postura adequada para praticar Wu Ji é de pé com os pés afastados a uma distância igual à largura dos ombros.

A pelve ligeiramente basculada para a frente – quando basculamos a bacia para a frente os joelhos ficam soltos e a coluna lombar fica ligeiramente aberta permitindo que o fluxo de energia se faça mais fácilmente.

O peito retrai um pouco de forma a que os ombros fiquem ligeiramente rodados para a frente e os braços estendidos ao longo do corpo. 

A cabeça está direita como se fosse puxada por um fio vindo do céu com o mento (queixo) também ligeiramente retraído.

Tenta encontrar uma posição em que te seja possível manter o corpo descontraído e relaxado, mas de forma a que não fiques mole. Por exemplo, os dedos das mãos estão descontraídos mas apontam para o chão, a cabeça está descontraída mas direita. 

Distribui bem o peso do corpo por toda a planta do pé. Se sentires que o peso do corpo está a vir para os calcanhares é porque estás a inclinar-te para trás e o mesmo acontece para a frente.

A ideia é manter o corpo bem direito e centrado. Vê-se muito por aí, nas práticas de exercícios de Qi Gong e posturas de árvore os corpos inclinados para trás devido à rotação da bacia, pode-se contrariar essa tendência inclinando ligeiramente o tronco para a frente. Para o corpo se manter direito temos que encontrar o nosso centro, alinhar com o céu e a terra. A inclinação para trás fecha as vértebras e o fluxo de energia é interrompido. 

Postura correcta de Wu Ji
Postura de Wu Ji incorrecta

A Respiração

Agora que o corpo está numa posição que te permite descontrair vais prestar atenção à respiração e tentar manter o contacto com a respiração durante todo o exercício.

Concentra-te em Dan Tian (região abaixo do umbigo), quando inspiras o teu ventre dilata e quando expiras o teu ventre contrai. Como se tivesses um balão que enche e despeja o ar.

Respira com suavidade e sem forçar. Tenta alongar um pouco a inspiração.

Se for mais fácil conta até 4 na inspiração e depois até 4 na expiração.

De seguida podes tentar fazer uma pausa entre as inspirações e expirações. Inspira conta 4, faz a pausa enquanto contas até 2, expira e conta 4, pausa conta 2. Vai fazendo.

Quando a respiração estiver calma e regular e sem perder o contacto com a respiração, vais também concentrar-te na imobilidade do corpo, tenta atingir um estado de imobilidade absoluta. Não cries tensão no corpo, a melhor maneira é concentrares-te de tal forma na respiração e na imobilidade, que sentes como se fosses uno com o universo, todo o teu corpo respira e absorve tudo ao seu redor.

Mente calma

Agora que a tua atenção está na respiração calma e na imobilidade do corpo, foca o teu olhar num ponto preciso. Escolhe um ponto um pouco abaixo da linha do horizonte para que possas descontrair as pálpebras e pestanejar o mínimo possível. É um olhar vago, os teus olhos estão pousados naquele ponto, mas não estão a observar nada. 

Se perderes o contacto com a respiração e com o corpo, volta e continua a respirar pausadamente com o corpo parado, o teu olhar repousa e a mente acalma. Se surgirem pensamentos deixa-os partir e volta para ti, para o teu corpo e para a respiração.

Sorriso Brilhante

Deixa que um ligeiro sorriso aflore os teus lábios, suave. Um sorriso tímido que se estende até aos olhos e os ilumina. Permite que esse sorrir vá inundando todo o teu rosto e corpo. Esse é um sorriso de amor, é a luz do Universo que brilha em ti e através de ti, deixa-a revelar-se e espalhar-se por tudo ao teu redor.

Agora manténs a tua atenção na tua respiração, na imobilidade do teu corpo, no teu olhar que repousa e no teu sorriso que te ilumina. 

As Sensações

Apercebe-te das sensações internas que surgem no teu corpo, se sentes dor ou desconforto… se tens calor ou frio, formigueiros, comichão…

A tua atenção passa para as sensações externas, para os sentidos: se estás no interior as correntes de ar, no exterior a brisa, a temperatura. Os cheiros, os ruídos próximos e distantes… 

O olhar periférico… tudo o que se passa ao teu redor é apercebido pelos  teus sentidos sem que dês especial atenção seja ao que for.

E continuas a manter a tua atenção na respiração calma e regular, na imobilidade do corpo, na mente que está calma, no teu sorriso amoroso que te ilumina e a tudo à tua volta, nas sensações do teu mundo interno e do mundo ao teu redor. 

E fica um pouco, a viver esse momento de paz e união com o Universo, o Tao, o eu eterno.

Para Terminar

Para terminar abres os dois braços lateralmente, inspiras levando as mãos ao céu e imagina que captas a energia pura do cosmos. Ao expirar as mãos descem desde o topo da cabeça até à região do Dan Tian e enquanto vão descendo é como se tomasses um duche dessa energia e absorvesses cada partícula desde o topo da cabeça até aos pés.